Paixão e fé, identidade e memória: O lugar dos festejos religiosos e populares no imaginário poético-musical do Clube da Esquina
DOI:
https://doi.org/10.71199/6mjv5645Palavras-chave:
Clube da Esquina, mineiridade , imaginário, memória, festejosResumo
Este artigo investiga de que modo as festas religiosas e populares de Minas Gerais atravessam a construção da mineiridade no imaginário poético-musical do Clube da Esquina. Partindo da compreensão do imaginário como categoria fundante da realidade, o texto tem como objetivo investigar o lugar dos festejos e a própria relação entre memória, religiosidade e narrativa na formação estética e simbólica do movimento. A pesquisa aborda os conceitos de imaginário, memória coletiva e identidade, e lança mão de depoimentos inéditos de Márcio Borges, Murilo Antunes, Nelson Angelo, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Wagner Tiso. Nessas narrativas memorialísticas, emergem lembranças da marujada, da folia de reis, dos congados e dos bois-de-janeiro, festejos que vêm como espaços de transmissão de saberes estéticos, religiosos e culturais. O artigo propõe uma leitura dessas memórias como testemunhos de um processo histórico e como matéria constitutiva da criação musical dos compositores, evidenciando o papel das sonoridades dos rituais e das práticas festivas na formação musical dos membros do Clube da Esquina. Ao situar essas experiências no contexto histórico da religiosidade mineira, marcada pela confluência entre o catolicismo popular e religiões de matrizes africanas, o texto busca compreender como a festa opera como lugar privilegiado de produção de pertencimento, atualização da memória coletiva e elaboração da narrativa da mineiridade no discurso e na canção do Clube da Esquina.
This article investigates how the religious and popular festivals of Minas Gerais permeate the construction of "mineiridade" in the poetic-musical imagination of Clube da Esquina. Starting from an understanding of the imaginary as a foundational category of reality, the text aims to investigate the place of festivities and the very relationship between memory, religiosity, and narrative in the aesthetic and symbolic formation of the movement. The research addresses the concepts of imaginary, collective memory, and identity, and makes use of unpublished testimonies from Márcio Borges, Murilo Antunes, Nelson Angelo, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta, and Wagner Tiso. In these memorial narratives, memories of the marujada, the folia de reis, the congados, and the bois-de-janeiro emerge—festivities that serve as spaces for the transmission of aesthetic, religious, and cultural knowledge. This article proposes a reading of these memories as testimonies of a historical process and as constitutive material for the musical creation of the composers, highlighting the role of the sounds of rituals and festive practices in the musical formation of the members of Clube da Esquina. By situating these experiences within the historical context of Minas Gerais' religiosity, marked by the confluence between popular Catholicism and religions of African origin, the text seeks to understand how the festival operates as a privileged space for the production of belonging, the updating of collective memory, and the elaboration of the narrative of Minas Gerais identity in the discourse and songs of Clube da Esquina.
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