Som, protesto e ambiências festivas: Por uma abordagem sensível da festa em manifestações no Recife
DOI:
https://doi.org/10.71199/1k618708Palavras-chave:
Festa, Protesto, Som, Comunicação, MúsicaResumo
O artigo propõe compreender as festas como ambiências sensíveis, tomando como ponto de partida uma perspectiva fenomenológica (MERLEAU-PONTY, 1999) e uma leitura comunicacional das práticas urbanas (REGUILLO, 1995). A partir da definição de ambiência como “espaço-tempo vivido de modo sensível” (THIBAUD, 2020), investigamos a dimensão sonora e corporal de protestos, argumentando a presença de ambiências festivas. São apresentados dois estudos de caso realizados na cidade do Recife: o protesto contra os cortes orçamentários nos institutos federais, em 2019, e o ato em solidariedade ao povo palestino em 2023. Ambos são analisados das formas de vinculação social que os sons, gestos e performances produzem (BIELETTO-BUENO, 2020). O objetivo deste artigo é discutir de que modo experiências urbanas como protestos - não denominados de antemão como festas - podem ser compreendidas na sua capacidade de produção do comum, a partir do ato de festejar. A hipótese central sustenta que as ambiências festivas emergem não apenas em situações de celebração, mas também em contextos de conflito e reivindicação, como em protestos, funcionando como modos de imaginação coletiva e formas de comunicação urbana. A metodologia combina fenomenologia e etnografia sensível, com base em escutas situadas, observações recorrentes e relatos testemunhais. Buscamos com o artigo localizar os sinais da experiência festiva não mais na lógica representacional – as festas nos seus limites institucionais e facilmente reconhecidos - mas nas possibilidades oferecidas pela vitalidade urbana na partilha das sensibilidades (RANCIÈRE, 2014).
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