O Festival Kizomba: “Onde está o Almirante Negro?”- desafios etnomusicológicos na música como gesto político

Autores

DOI:

https://doi.org/10.71199/wgr47f06

Palavras-chave:

etnomusicologia, João Cândido, Memória, Festival

Resumo

Esse artigo apresenta um estudo etnomusicológico sobre o Festival Kizomba em Porto Alegre (2021-2024). Por meio da descrição etnográfica, apresento os desafios encontrados no trabalho de campo, em diálogo com Barz; Cooley (2008), Kazadi (2024), Nketia (1990), além de outros autores e autoras. Tenho como objetivo a análise da pergunta “onde está o Almirante Negro?”, articulando-a aos escritos de Cusick (2006), que escreve sobre os usos opressivos da música como arma. Em contraponto, reflito como o festival aciona práticas sonoras que operam como gesto político de não apagamento, reafirmando publicamente a memória de João Cândido, líder da Revolta da Chibata, que lutou contra a tortura.

This article presents an ethnomusicological study on the Kizomba Festival in Porto Alegre (2023-2024). Through ethnographic description, I present the challenges encountered in fieldwork, in dialogue with Barz; Cooley (2008), Mukuna (2024), Nketia (1990), as well as other authors. My objective is to analyze the question "where is the Almirante Negro?", articulating it with the writings of Cusick (2006), which highlight the oppressive uses of music as a weapon. In contrast, I reflect on how the festival activates sound practices that operate as a political gesture of non-erasure, publicly reaffirming the memory of João Cândido, leader of the Revolta da Chibata, who fought against torture.

Biografia do Autor

  • Paulo Fernando Parada Ausquia Junior, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

    Paulo F. Parada (1989) é doutor em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sua formação acadêmica tem ênfase nas disciplinas musicologia/etnomusicologia. Professor de música, pesquisador e musicoterapeuta, sua pesquisa de pós-doutorado (2025-2026) é um estudo sobre as confluências de Lupicínio Rodrigues com a canção latino-americana. Parada reconstituiu a obra e trajetória musical do flautista de choro Plauto Cruz, publicando artigo e livro sobre seu trabalho. Na sua dissertação de mestrado, escreveu sobre memória e esquecimento dos músicos da noite de Porto Alegre.  Apresenta suas pesquisas em diálogo com a etnomusicologia aplicada em congressos brasileiros (ENABET, ANPPOM) e no mundo (ICTM).

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Publicado

12/31/2025

Edição

Seção

Dossiê – "Etnomusicologia da Festa: Encontros, Confluências e Celebrações"

Como Citar

O Festival Kizomba: “Onde está o Almirante Negro?”- desafios etnomusicológicos na música como gesto político. (2025). Revista Música E Cultura, 14(1), 191-222. https://doi.org/10.71199/wgr47f06