Samba de Couro em Trancoso-BA e suas epistemes corporificadas
DOI:
https://doi.org/10.71199/3d499783Palavras-chave:
Samba de Couro, manifestações populares, epistemes corporificadasResumo
Este trabalho busca compreender o Samba de Couro que acontece em Trancoso-BA enquanto movimento de resistência, memória cultural e produção de conhecimento. Apresentamos os saberes ancestrais que emergem dessa manifestação popular, saberes estes de origem afrodiameríndia que vieram nos corpos dos negros africanos que foram escravizados, e estão presentes nos ritos que constituem as festas, em especial em homenagem a São Sebastião e São Brás. Os tempos do samba são descritos através dos relatos de dois sambadores nativos que vivenciam essa manifestação popular desde sua infância na região. Pegar o mastro na mata, levá-lo para a preparação, cortar bandeiras, fitas e flores para compor a decoração, são momentos que antecedem a festa propriamente dita, que serão descritos e analisados no decorrer deste estudo. Esta é uma tradição cênico-poético-musical que ocorre em diversos festejos pelo país. Para compreender como o samba de couro se configura enquanto uma episteme, recorro às reflexões de Simas e Rufino (2018), Souza e Barbosa (2012), Domenici (2009) e Kaphagawani e Malherbe (2019), dentre outros.
Palavras-chave: samba de couro; etnografia; cênico-poético-musical
This paper seeks to understand how samba de couro, as a popular form of knowledge, is configured as a movement of resistance, cultural memory and production of knowledge, and to present the ancestral knowledge that emerges from the popular manifestation Samba de Couro, especially that which takes place in Trancoso, a district of Porto Seguro, located in the extreme south of Bahia. Samba de couro is a scenic-poetic-musical tradition that occurs in various celebrations throughout the country. This knowledge of Afro-diasporic origin was carried in the bodies of black Africans who were enslaved and is present in the rites that constitute the festivals, especially in honor of the Catholic saint São Sebastião. Getting the pole from the forest, taking it to be prepared, cutting flags, ribbons and flowers to compose the decoration, until the day of the festival are present, described and analyzed throughout this study. The times of samba are described through the accounts of two native samba dancers who have experienced this popular manifestation since their childhood in the region. To understand how samba de couro, as a popular manifestation, is configured as a resistance movement, cultural memory and producer of epistemes, I resort to the reflections of Simas and Rufino (2018), Souza and Barbosa (2012), Domenici (2009) and Kaphagawani and Malherbe (2019).
Referências
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