Edições anteriores

  • Etnomusicologia da Festa: Encontros, Confluências e Celebrações
    v. 14 n. 1 (2025)

    Dossiê – "Etnomusicologia da Festa: Encontros, Confluências e Celebrações"

    O dossiê pretende explorar as múltiplas dimensões sonoras e epistemológicas que as “festas” assumem enquanto espaços e tempos de encontros e trocas, fluxos e refluxos, conflitos e confluências culturais. Nomeando uma ampla e variada gama de fenômenos sociais, as chamadas “festas” – populares, religiosas, comunitárias, particulares, rurais, urbanas ou virtuais –, são povoadas por sonoridades que operam como elementos articuladores de memórias ancestrais e pertencimentos culturais múltiplos. Entre artefatos, ritos, corpos, sons e outros tantos aspectos performativos e sensíveis, as festas delimitam um tempo que estrutura relações sociais no cotidiano comunitário, revelando funções históricas, políticas e espirituais. Em suas práticas sonoro-musicais, as festas transcendem a esfera meramente estética, criando contextos sociais que envolvem marcos identitários de classe, raça e gênero, afirmando tradições e modos de re-existência cultural. Com este número, a Revista Música e Cultura pretende acolher trabalhos das mais variadas vertentes teóricas e metodológicas buscando ampliar o debate sobre o fenômeno dos encontros festivos e suas expressões sonoro-musicais. Esse dossiê pretende ser também um esforço coletivo na busca por uma percepção mais abrangente e aberta, à uma escuta dos sons e silenciamentos trazidos pelas festas em suas diversas formas de encontro e celebração cultural.

    (Foto: Marcel Gautherot /Acervo Instituto Moreira Salles)

  • Na capa da revista, temos duas mãos de pessoa negra tocando um tambor. Ao centro, na extremidade superior, temos o texto, escrito em caixa alta: "Música e Cultura: Dossiê Etnomusicologia Negra". No canto superior direito, está o texto, escrito em caixa alta: 2024/Volume 13/ nº 3 . Na parte de baixo, o texto, em caixa alta: Caminhos, contribuições, pensamentos e legado. Ao lado esquerdo, um sinal de asterisco, ao lado direito, a logomarca da ABET, com letras pretas, uma seta para a esquerda laranja e uma seta para a direita amarela.

    Dossiê Etnomusicologia Negra: Caminhos, Contribuições, Pensamentos e Legado
    v. 13 n. 3 (2024)

    O Dossiê "Etnomusicologia Negra: caminhos, contribuições, pensamento e legado" reúne textos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiras/os e estrangeiros no intuito de provocar uma virada epistêmica e êmica dos modos de pensar-fazer Etnomusicologia. Escrito, em sua totalidade, por pessoas negras, estes textos apresentam reflexões e inflexões diversas sobre o povo negro na/da Música e suas relações com os sons e as culturas sonoras. A Revista Música e Cultura, com essa publicação, busca abrir espaço para novas discussões  e perspectivas etnomusicológicas que irrompam com o sistema opressivo racial e promovam não somente a inclusão de pessoas negras no campo acadêmico, como uma sistemática reconfiguração das relações raciais neste, abrindo espaço para vozes insurgentes diversas, com propostas epistêmico-sonoras que apontem caminhos Outros para a pesquisa em Etnomusicologia e em Música. 

    Como editores convidados, a Revista Música e Cultura apresenta o Professor Dr. Leonardo Moraes Batista (SESC) e o Professor Dr. Rafael Branquinho Abdala Norberto (UFRR). Como organizador do Dossiê, a Revista Música e Cultura apresenta o Professor Pedro Fernando Acosta da Rosa (UFBA). A capa é produção artística de Iohay Timbó Rodrigues.

    Boa leitura!

    Profa. Dra.  Wenderson Oliveira- Editora da Revista Música e Cultura ( set/2024-jun/2025)

  • Revista Musica e Cultura 2024/02
    v. 13 n. 2 (2024)

    Cumprindo com um dos principais compromissos firmado pela atual gestão da revista Música e Cultura, a busca por periodicidade em suas publicações, temos a alegria de apresentar em maio de 2024, o Vol. 13, N.o 2 – Dossiê “São Paulo, Lugar de Encontros: Conhecendo Patrimônios Musicais”, edição que reúne, de forma plural e dialógica, trabalhos de antropólogos/as, etnomusicólogos/as, gestores/as que atuam na área de patrimônio cultural imaterial e detentores/as de saberes e musicalidades tradicionais/populares/periféricas. Esta edição é marcada, ainda, por ser a primeira vez em que um número da Música e Cultura é dedicado integralmente à publicação de um dossiê. Organizado por Lorena Avellar de Muniagurria, Luca Fuser e Rose Satiko Gitirana Hikiji - em um momento de crescente aumento nas publicações e movimentações em torno da temática do “patrimônio cultural imaterial”, em que etnomusicólogxs e antropólogxs tem estado cada vez mais envolvidxs com as políticas públicas e pesquisas acadêmicas neste âmbito -, este dossiê reafirma, por fim, a importância da pluralidade do trabalho etnográfico através de dois ensaios fotográficos, um depoimento, um relato de experiência e três artigos científicos.
    Aproveitamos o ensejo para registrar publicamente os nossos agradecimentos a toda a atual gestão da Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET), nomeada carinhosamente de Gestão Afirmativa, a primeira, em toda a história da nossa associação, formada em sua maioria por pessoas negras. Dessa forma, entendemos, também, que esta edição é fruto, mais uma vez, de todo o esforço coletivo desta gestão, seguindo os aprendizados e as lutas de uma linhagem etnomusicológica que valoriza a produção de conhecimento negra, dos povos originários e de outros grupos populares/periféricos, na esteira de suas ancestralidades e de seus movimentos político sociais/educacionais. Ainda, não poderíamos deixar de manifestar a nossa profunda gratidão às/ao organizadoras/o deste dossiê, extremamente solícitos e pacientes ao longo de todo o processo de acompanhamento das submissões e avaliações dos trabalhos, sugestões de pareceristas e encaminhamentos finais que resultaram nesta belíssima publicação.
    Por fim, agradecemos a todas as pessoas que tornaram possível a realização deste dossiê e esperamos que ele contribua com o fortalecimento e a ampliação da Etnomusicologia Brasileira, bem como com os debates em torno da patrimonialização de bens culturais imateriais e, principalmente, com a valorização dxs fazedorxs e produtorxs culturais através do reconhecimento institucional de seus saberes e fazeres.

    Os editores,

    Rafael Branquinho Abdala Norberto (Editor)
    Daniel Stringini da Rosa (Vice-Editor)

  • Revista Musica e Cultura- 2024/01
    v. 13 n. 01 (2024)

    Se no volume anterior da revista Música e Cultura (Vol. 12, 2021) estávamos ainda tomados pelas situações dramáticas impostas pela pandemia de COVID-19, este presente número é lançado em um momento pós-pandêmico, onde passamos a experienciar uma série de reconfigurações e rearticulações de nossos campos de trabalho e de atuações. Frente a isso, entendemos que esta nova edição da revista marca um período de reafirmação e continuidade deste importante periódico da Etnomusicologia Brasileira, sendo publicado em um momento histórico para a Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET), em que a Gestão Afirmativa, a primeira em mais de 20 anos de história da nossa associação que é formada em sua maioria por pessoas negras, entrega mais um fruto de seu esforço coletivo, seguindo os aprendizados e as lutas de uma linhagem etnomusicológica que valoriza a produção de conhecimento negra, dos povos originários e de outros grupos populares/periféricos, na esteira de suas ancestralidades e de seus movimentos político sociais/educacionais.

    Embargados por sentimentos semelhantes que nos tomaram conta ao longo de todo o XI Encontro Nacional da ABET, realizado em novembro de 2023, com mistos de alegria e de superação de muitos desafios, preconceitos e barreiras, apresentamos, então, em janeiro de 2024, o Vol. 13, N.o 1 da revista Música e Cultura, composto por um apanhado bastante heterogêneo de seis artigos e um ensaio, sendo que dois desses artigos valorizam as produções de pensadores/as negros/as e o ensaio traz contribuições substanciais para as reflexões envolvendo Música e a Comunidade LGBTQIAPN+, além de contribuições que valorizam personalidades e comunidades musicais até então “esquecidas” pela historiografia musical e por outras etnografias, aspecto este que acreditamos assinalar, mais uma vez, a importância deste periódico brasileiro, além da multiplicidade de trabalhos que vêm sendo produzidos pela Etnomusicologia, não apenas em território nacional, mas também em outras partes do mundo.

    Visando uma organização cronológica das presentes contribuições, esta edição abre com o artigo O Maestro Pompeu e a História Cultural da Música no Sul de Minas Gerais: fontes, compositores, músicos e professores entre os séculos XVIII e XX, em que José Humberto Barbosa, Mirella Veiga e Samuel Barbosa Junior, desde uma perspectiva dos acervos musicológicos e dos estudos biográficos, alinhada à proposta de “etnomusicologia como representação social da significação musical”, evidenciam a trajetória do educador Maestro Pompeu no contexto do sul do estado brasileiro de Minas Gerais. Na sequência, Marília Santos, em Música Armorial: história, arte e ecos, investiga, com uma proposta etnográfica, as reverberações de um fazer musical armorial na contemporaneidade.

    Ao mapear as referencialidades presentes naquilo que a autora nomeia como “campo armorial”, situa no centro de sua investigação a peça musical Um Requiem Nordestino, do compositor Dierson Torres. No artigo Etnomusicologia Afroperspectivista no Sarau Divergente, Jhenifer Raul, Juliana Lima, Lucas Assis, Matheus Ferreira, Pedro Mendonça, Priscilla Donato, Raphaela Yves e Renan Moutinho (coletivo cujos participantes integram os grupos de pesquisa Ivone Lara e Musicalidades da Diáspora Africana, ambos em atuação na cidade do Rio de Janeiro) analisam, a partir de uma agenda político-epistemológica afroperspectivista, o evento Sarau Divergente, aprofundando em suas discussões temas como epistemicídio, quilombismo e musicalidades afro-diaspóricas.
    Na sequência, Danilo Kuhn Silva também coloca em discussão a temática dos epistemicídios no campo da música em Epistemicídio Musical Pomerano na Serra dos Tapes, propondo uma análise em torno do que o autor situa como processo de invisibilização de uma música tradicional pomerana em um contexto de imigração no sul do estado do Rio Grande do Sul.

    Em Carnaval Carioca e Práxis-Sonora: o batuque enquanto um fazer político afro-brasileiro, Thiago de Souza Borges discute o carnaval na cidade do Rio de Janeiro a partir das perspectivas de pensadores/as negros/as e retoma os debates em torno destes eventos enquanto lugares de disputas. Flávio Rodrigues, em A Prática Virtual do Taiko: comunidades e seus musicares em tempos de pandemia, investiga as performances em ambientes virtuais desta expressiva prática musical japonesa ao focalizar um grupo musical localizado na cidade de Atibaia (SP). Caio Mourão fecha este número com o ensaio “Ai Quanto do Teu Sal...”: as lágrimas contracolonizadores de Fado Bicha e Portugal, apresentando questões em torno de práticas musicais contracolonizadoras ao analisar uma canção que tematiza e dialoga com grupos e comunidades discriminadas no contexto de Portugal.
    Agradecemos a todxs xs autorxs que tornaram possível a realização deste número e esperamos que ele contribua com o fortalecimento e a ampliação da Etnomusicologia Brasileira.

    Os editores,

    Rafael Branquinho Abdala Norberto (Editor)
    Daniel Stringini da Rosa (Vice-Editor)

  • Revista Musica e Cultura 2021/01
    v. 12 n. 1 (2021)

    Colegas,

    Esta edição de Música e Cultura foi produzida em meio à pandemia da Covid-19, um período que foi um grande desafio para todo o mundo. Os pesquisadores não puderam ir ao campo e tiveram que buscar novas formas detrabalhar. Tornou-se também necessário criar formas virtuais de organizar eventos acadêmicos, defesas de teses e dissertações, reuniões e aulas. A situação tornou-se especialmente difícil para os músicos e demais produtores culturais de formas performativas, devido à proibição de sua realização presencial. Muitos perderam seus meios de vida e mesmo os que puderam desenvolver virtualmente seu trabalho têm sentido grande impacto no processo de adaptação. Deixamos nossos sinceros sentimentos a todos os que perderam entes queridos nestes tempos difíceis.
    Embora em seu projeto original este não tenha sido configurado oficialmente como um volume temático, notamos que, ao comemorarmos e relembrarmos os 20 anos da Associação Brasileira de Etnomusicologia, vários textos submetidos abordam a memória da disciplina e resgates históricos das pesquisas em arenas musicais específicas. O texto de Bruno Nettl e a entrevista com Kilza Setti trazem as memórias pessoais destes pesquisadores sobre o desenvolvimento da Etnomusicologia norte-americana e brasileira, respectivamente. Katharina Döring e Marcos Branda Lacerda analisam as perspectivas que marcaram as investigações das músicas em seus campos de estudo.

    Esta edição também realça a internacionalização que a etnomusicologia brasileira vem conquistando. Ao lado da contribuição norte-americana de Nettl, recebemos trabalhos de uma colega portuguesa, Maria do Rosário Pestana, sendo que pesquisadores brasileiros têm se voltado para a pesquisa em outras partes do mundo, como Espanha, França e vários países da África. Há, ainda, contribuições que discutem esferas da música brasileira com novas perspectivas, como o choro no interior de São Paulo e o impacto da pandemia sobre agentes envolvidos na produção das culturas populares no norte do país.

    A diversidade de gêneros textuais é uma característica marcante deste volume. Além de cinco artigos, trazemos uma tradução, uma resenha, uma entrevista e uma reflexão, texto de curta extensão, de estrutura mais livre, dedicado à discussão de algum importante tema contemporâneo. Abrimos com “Quem espreita por sobre meus ombros?” (Who’s looking over my shoulder), tradução, por seu orientando Samuel Araújo, do quarto capítulo do livro Encounters in Ethnomusicology: a memoir (2002) de Bruno Nettl (1930-2020). Com esta publicação, prestamos nossa homenagem à grande contribuição e dedicação à Etnomusicologia deste eminente investigador. O texto traça a trajetória do desenvolvimento da Etnomusicologia, particularmente a norte-americana, a partir da formação acadêmica de seus expoentes, mostrando como as ontologias da Música Erudita Ocidental permeiam os estudos da música de outras culturas. A narrativa expõe a sua própria longa trajetória na disciplina, iniciada nos anos de1950 e persistindo até o fim de sua vida. No artigo “As bandas civis em Portugal: um olhar multifocalizado sobre espaços de atravessamento ”, Maria do Rosário Pestana faz um apanhado geral das principais constatações que emergiram ao longo do projeto “A nossa música, o nosso mundo: Associações musicais, bandas filarmónicas e comunidades locais (1880- 2018)”, financiado por Fundos FEDER.

    Compreendendo o universo das filarmónicas como “um espaço entre-espaços”, isto é, “um espaço humano de atravessamento de e para outros espaços”, suas reflexões destacam tanto continuidades quanto divergências nas práticas das bandas portuguesas, seus papéis sociais ao longo do tempo e em diferentes localidades, as indústrias que sustentam e os universos sociais que se constituem em seu entorno. Katharina Döring apresenta, em “Pandeireteiras e Cantadeiras da Galiza: Protagonismo feminino na música popular galega”, um resgate histórico e um panorama contemporâneo dessa rica e diversificada tradição, tão pouco conhecida no Brasil, e da pesquisa sobre ela realizada, destacando a atuação de distintas gerações de mulheres. É interessante notar a variedade linguística destacada no texto pela autora, que manteve nas citações diretas os idiomas originais: português, castelhano e galego.
    Em “‘Cadê o Café?’: novas trilhas do choro nas rodas do interior paulista”, Renan Bertho discute os intercâmbios musicais nas rodas de choro em sete cidades de uma região que, desenvolvida inicialmente sobre a economia cafeeira e associada à cultura caipira, passou por intensa urbanização, gerando uma juventude moderna, com gostos musicais e culturais cosmopolitas. Com a fundação do Conservatório de Tatuí, alguns jovens se tornaram aficionados pelo choro, mas, para sustentar essa prática, precisaram buscar músicos em cidades vizinhas. Assim, a partir dessa rede de intensa sociabilidade musical, estabeleceram-se “trilhas” do choro pela região. Lúcia Campos, em “Uganda, Buganda, Baganda: O paradoxo da música clássica ugandesa”, faz uma análise da participação do Ensemble Baganda no 13° Festival de l’Imaginaire, em Paris, onde se observa uma disputa entre os conceitos de world music e músicas do mundo. Os produtores do evento partiram de uma concepção própria de “autenticidade”, que os levou a exigir alterações nas práticas do conjunto musical para que ele respondesse ao espírito do discurso que sustentavam. Vale apontar, contudo, que, embora os organizadores quisessem eliminar a dança das mulheres por considerá-la exotizada e sexualizada, na programação final elas se apresentaram no bis. A discussão proposta por Campos destacou, a partir das tensões evidenciadas, a colonialidade de relações que são estabelecidas em festivais voltados para apresentações de tradições musicais não
    ocidentais.

    O artigo “Aspectos da construção rítmica e figural na música africana e uma introdução à sua pesquisa”, de Marcos Branda Lacerda, traz uma detalhada discussão histórica e crítica de abordagens analíticas da música instrumental africana, mostrando como muitos destes estudos buscam evidenciar uma suposta complexidade rítmica. A partir de sua própria experiência de pesquisa, discutida na segunda parte do texto, o autor expõe uma rica variedade de exemplos onde evidencia a participação do solista e sua relação com a textura, um aspecto raramente abordado pelos estudiosos desse repertório. Alerta para um certo olhar apriorístico e reducionista da tradição ocidental da análise musical, exemplificando a constatação feita por Nettl em sua contribuição nesta edição.

    Em entrevista a Guilhermina Lopes, a compositora e etnomusicóloga Kilza Setti compartilha vários aspectos de sua trajetória, como sua formação (em relação com a trajetória da Etnomusicologia na academia brasileira), seu trabalho artístico e a pesquisa de música portuguesa, caiçara e indígena. Ao longo desse envolvente relato, o leitor poderá acompanhar, através das imagens, importantes momentos do desenvolvimento nacional de nossa disciplina, como o primeiro congresso da ANPPOM em 1988 e o Simpósio de Etnomusicologia da UFBA (1991) e encontrar personalidades que para ela muito contribuíram, como Kwabena Nketia, Manuel Veiga, Desidério Aytai, Gerhard Kubik, Elizabeth Travassos, Anne Caufriez, Fernando Lopes-Graça e Michel Giacometti.

    O impacto da crise sanitária internacional que tem no Brasil um de seus piores cenários é tema da reflexão “Os primeiros a parar e os últimos a voltar: trabalhadores da cultura no Brasil em tempos de COVID-19”, de Lorena Avellar de Muniagurria. A autora destaca que, apesar de sua importância simbólica e econômica, a cultura constitui uma área profissional com altos índices de informalidade que, mesmo anteriormente à pandemia, enfrentava o aumento da precarização, além de um ambiente de crescente intolerância e censura. Trazemos, por fim, a resenha do livro Viola de arame - práticas e contextos (2018), de Vitor Sardinha, realizada por Flávio Dantas Martins, que aborda importantes aspectos organológicos e estilísticos do instrumento na Ilha da Madeira, Portugal. Assim como o artigo de Katharina Döring, este texto nos apresenta um universo tão próximo linguisticamente e ao mesmo tempo tão desconhecido por aqui.

    Notamos, por fim, que a disposição dos números da revista no site da ABET está em fase de reorganização, o que deverá torná-la mais acessível. Gostaríamos de agradecer a todos os que colaboraram para que mais essa edição pudesse vir à luz: autores e pareceristas, demais membros da diretoria da ABET e os bolsistas FAPESP Micael Pancrácio e Vitor Robonato, por seu trabalho no design e reestruturação do site da revista. Encorajamos pesquisadores, professores e estudantes a incrementarem submissões para os próximos números, a fim de que possamos tê-la cada vez mais fortalecida, especialmente neste momento tão delicado para a pesquisa no Brasil.
    Desejamos a todes uma proveitosa leitura.

    As editoras 

    Suzel Reily
    Guilhermina Lopes

  • Revista Musica e Cultura 2019/01
    v. 11 n. 01 (2019)

    Colegas,

    Apresentamos o volume 11 da revista Música & Cultura, a partir da proposição de um eixo temático central: Etnomusicologia na América Latina. Os artigos aqui apresentados guardam relação com a proposta, contemplando uma variada e rica gama de pesquisas, projetos, relatos e experiências etnográficas, tendo sido selecionados seis artigos para essa edição.
    O antropólogo colombiano Carlos Miñana abre a revista com um artigo sobre o tema trazido na sua palestra no VIII Enabet, onde propõe um olhar sobre a etnomusicologia produzida na América Latina a partir das múltiplas perspectivas conceituais e teórico-metodológicas que vêm assumindo na região. Já Lenita Nogueira e Guilhermina Lopes, analisando regravações da canção “Mãe Preta” dos gaúchos Caco Velho e Piratini, pretendem compreender como escolhas musicais e textuais, aliadas a contextos sociais e históricos específicos, produziram também diferentes modos de apropriação e significação da canção ao longo dos séculos XX e XXI. O texto da pesquisadora argentina Juliana Guerrero propõe um debate sobre as relações entre processos criativos e a construção “da pessoa da performance”, enfocando especificamente a trajetória do músico espanhol Joaquim Sabina. Na sequência, o artigo de Priscila Ribeiro, apoiada em sua prática etnográfica de campo, discute os significados da folia de reis paulista da cidade de Prudêncio de Cajuru, tomando como referenciais estudos da semiótica e da etnomusicologia. O texto de Estevão Amaro dos Reis retoma os debates em torno do termo “folclore” e as diversas acepções que tem assumido ao longo do tempo. Fazendo um rápido apanhado histórico da gênese do conceito, o autor traz uma etnografia do grupo parafolclórico de dança “Cidade Menina Moça”, da cidade de Olímpia, a fim de propor novas abordagens sobre o tema. Fechando a revista, as pesquisadoras Giselle Guilhon e Maria Acselrad, também palestrantes no último Encontro da ABET, apresentam uma proposta de genealogia dos estudos antropológicos sobre dança no Brasil, a partir da trajetória de três pesquisadores que produziram trabalhos recentes sobre o assunto, trazendo ainda uma contribuição para a sistematização  das primeiras pesquisas sobre dança e cultura popular no país.
    Nossa revista mudou de endereço e passou a ser abrigada em nosso site, que foi também ampliado e reformulado, ganhando novas funcionalidades. O lançamento de mais este número da revista se dá outra vez no momento de realização do IX ENABET, e espera ser um ponto de retomada e de estímulo para pesquisadores, professores e estudantes incrementarem submissões para os próximos números, a fim de que possamos sempre, atendendo aos índices de qualificação exigidos pelas instituições que acompanham os programas de pós-graduação da área, tê-la cada vez mais fortalecida.
    Gostaríamos finalmente de agradecer a todos que colaboraram para que mais essa edição pudesse vir à luz. Ressaltamos ainda que a publicação de mais uma edição da revista se reveste de uma aura de resistência e enfrentamento ao ataque sistemático que vêm sofrendo hoje a universidade pública e todo o campo das Ciências Humanas e Sociais no Brasil.

    Resistiremos!

    Os Editores

    Edilberto José de Macedo Fonseca
    Marília Raquel Albornoz Stein

  • Revista Musica e Cultura 2017/01
    v. 10 n. 01 (2017)

    Nesta décima edição de Música e Cultura, não poderíamos deixar de apontar os graves acontecimentos nas áreas política e econômica que acometeram o Brasil desde o número anterior da revista. Os impactos negativos da ruptura institucional e das reformas econômicas exigidas pelo capital transnacional se fizeram sentir imediatamente no campo de atuação da Etnomusicologia no país. Tais impactos abrangeram desde cortes de verbas das Universidades públicas e órgãos de fomento à pesquisa e pós-graduação, até a perda de direitos, taxa de desemprego recorde e piora geral das condições de vida da população mais ampla, especialmente os setores mais marginalizados, aos quais a Etnomusicologia feita no Brasil tem dedicado atenção especial.
    Neste cenário, entendemos que cada vez mais urgente é a realização de pesquisas etnomusicológicas, na busca de compreensão e transformação ativa da realidade social. É, portanto, com grande satisfação que apresentamos mais uma seleção de trabalhos comprometidos com o aprofundamento teórico e com a atuação dedicada no plano concreto. Atuação esta muitas vezes fundada na ideia de participação e colaboração com as populações envolvidas, tornadas sujeitos da pesquisa.
    Rita de Cácia Oenning da Silva, neste sentido, analisa a autoexpressão de crianças artistas da periferia do Recife, nos termos do que elas denominam como “cultura de nossa periferia”. Usando o hip hop em música, dança e letras, além de ferramentas audiovisuais, elas realizam uma crítica ativa sobre as narrativas estigmatizantes da mídia, ao mesmo tempo em que constroem suas próprias identidades por meio da performance. Luana Zambiazzi dos Santos também se volta para o universo das periferias urbanas, na cidade de São Leopoldo, região metropolitana de Porto Alegre (RS). Aqui, o rap também participa na construção ativa de identidades e pertencimentos, como forma de lidar com as memórias da violência ou para preparar novos territórios.

    A Etnomusicologia Colaborativa é o principal assunto de Líliam Barros e Cristhian Teófilo da Silva, em seu artigo, ao abordar o campo interdisciplinar da etnomusicologia na região pan amazônica. Questionando a hegemonia da geopolítica do conhecimento, os autores tecem um estado da arte das pesquisas colaborativas no Brasil como um todo, para então focarem-se nos trabalhos realizados no território de sua escolha, e em seus resultados.
    Um estado da arte da Etnomusicologia Aplicada e da utilização da metodologia da Pesquisa-Ação por etnomusicólogos no Brasil é, de maneira análoga, a proposta de Paulo Vinícius Amado, explorando, de um lado, a diversidade territorial abrangida pelas diferentes propostas, e, de outro, a convergência teórica observada entre seus proponentes.
    Compreendendo o trabalho atual da Etnomusicologia como implicado nas dinâmicas da globalização, Vincenzo Cambria oferece uma reflexão teórica sobre o conceito de “cenas musicais”. Segundo o autor, o conceito fornece vantagens para sua utilização por etnomusicólogos (que, não obstante, não o vêm empregando, de acordo com Cambria), derivadas de sua maior flexibilidade, permitindo referir-se a uma dimensão socioespacial sem que sejam circunscritas a um território geográfico específico. Entretanto, o autor observa que, nos trabalhos de outras áreas que comenta, a noção de cena “estaria ainda vaga e ambígua demais para permitir que uma clara perspectiva teórica alternativa seja desenvolvida em torno dela”. Como forma de lidar com esta dificuldade, Cambria sugere que a dimensão da cidade, localizada, em termos de abrangência, entre o nível micro (a “comunidade”) e os níveis macro (os Estados- Nação ou os processos transnacionais “desterritorializados”) permitiria perceber, de forma mais concreta, o funcionamento de fluxos e conexões globalizantes em uma dimensão mais local.
    Alvaro Neder volta-se para uma realidade que ainda não havia sido pesquisada: a região do atual Mato Grosso do Sul em sua contraditória relação com uma música urbana produzida aí desde os anos 1960, e denominada de “Música do Litoral Central”, ou MLC, a partir das conexões históricas, culturais e geográficas com a Bacia do Prata.
    Indo na contramão da ideologia da segurança nacional, imposta pela ditadura militar, que entendia os países vizinhos como perigosos focos de subversão e guerrilhas, essa música, desde sua concepção, buscou inspiração nos gêneros musicais desses países hermanos – especialmente a guarânia e a polca paraguaias e o chamamé argentino. Tendo este e outros princípios contra-ideológicos em sua gênese, entretanto, a MLC terminou sofrendo acirrado processo de cooptação, à medida que as elites locais viram nessa música um poderoso símbolo identitário que justificasse suas pretensões – finalmente realizadas – de criar um novo estado federativo e se apoderar de sua máquina administrativa.
    Brenda Suyanne Barbosa descreve e discute a música no ritual de batismo denominado Nhemongarai (Ritual do Milho) praticado pelos Mbya-Guarani, buscando compreender a existência de possíveis traços de música europeia e/ou midiática na cerimônia. Para a autora, apesar da presença de elementos de músicas midiáticas no cotidiano da cultura guarani, e da influência da música europeia no uso do violão e violino, e nas noções de introdução/ponte/coda, solo e coro, a música ritual dos Mbyá- Guarani consegue se manter infensa, devido à sua sacralidade.

    Em nossa seção de resenhas, Alcides Lopes aborda a importante obra do antropólogo e etnomusicólogo Anthony Seeger, Por que cantam os Kĩsêdjê. Apesar de muito conhecida entre os etnomusicólogos em sua versão original, a tradução desse livro de referência é bastante bem-vinda, principalmente para apoiar nossos cursos de graduação em Etnomusicologia, sendo muito útil, também, para tornar mais próxima nossa área do público mais amplo.

    Editores

    Alvaro Neder
    Spensy Kmitta Pimentel

     

     

  • Revista Musica e Cultura 2014/01
    v. 9 n. 01 (2014)

    Este novo número de Música e Cultura realiza intenções de incrementar a circulação da revista – de livre acesso e agora com duas edições anuais –, assim como de ampliar a rede de colaboradores com a Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET). Além dos artigos de colegas de outros países, que já havíamos começado a publicar em números anteriores, contamos desta vez com a colaboração inestimável de Suzel Ana Reily, como editora convidada do núcleo temático “Música e memória”, que
    constitui a segunda parte desta edição. Importa registrar também nossos agradecimentos a Steven Feld e a Carlos Palombini por autorizarem a publicação de uma importante entrevista – traduzida pelo próprio entrevistador – que permanecia inédita em português. Agradecendo por todo o empenho que os colaboradores prestaram a esta publicação, e desejando ótimo proveito a nossos leitores e leitoras, reafirmamos o compromisso – de Música e Cultura e da ABET – com a difusão do conhecimento
    construído em pesquisas e ações entre o campo da etnomusicologia e suas formas de atuação em sociedade.
    Cordialmente,

    Editores (as)
    José Alberto Salgado, Suzel Ana Reily, Samuel Araújo, Alice Lumi Satomi

  • Revista Musica e Cultura 2013/01
    v. 8 n. 01 (2013)

    A revista Música e Cultura: revista da ABET tem sido publicada graças ao empenho de editores e colaboradores dedicados, dos quais destacamos a entrega contínua de Hugo Leonardo Ribeiro, responsável pela editoração eletrônica, bem como da qualidade da nossa revista nos seus sete anos de existência. No oitavo ano agradecemos a parceria da CAPES, através do edital PAEP Programa de Apoio a Eventos no País, que nos permitiu publicar um número decorrente do VI Encontro da ABET, realizado em João Pessoa, em maio de 2013. Através do apoio viabilizou-se, também, inaugurar uma nova fase, efetivando a inserção na plataforma SEER – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas e uma nova aparência da revista. Desta forma, é novo momento de alegria para nós, membros da Associação Brasileira de Etnomusicologia, ver publicado mais este número de Música e Cultura, desta vez, congregando, em registro permanente e de livre acesso, sete das treze contribuições dos nossos convidados, da conferência principal e das mesas-redondas, e duas das oitenta comunicações apresentadas no referido encontro. Foi, aliás, memorável aquele encontro, desde a própria abordagem crítica que os colegas e convidados deram à sua temática geral – “Música e sustentabilidade” – mostrando desde o início que praticamos etnomusicologia com uma leitura do mundo atenta às conotações diversas que certos termos (à primeira vista, caros a todos nós) podem veicular, nos diferentes discursos e nas relações de poder em que circulam.

    Assim, leitoras e leitores encontrarão aqui uma variedade de aportes ao tema geral, como, por exemplo, a defesa das possibilidades do discurso sonoro em prol de uma “saúde planetária”; a consideração ontológica de um ser humano como produtor simultâneo de sons e de seu próprio meio-ambiente; o reexame de teorizações em favor de um “equilíbrio epistemológico” na ordem mundial – e o papel que a etnomusicologia já viria tendo, por certos modos de pesquisa, em tal direção. Temos também dois textos focalizando questões que podemos chamar de sustentabilidade da disciplina (ou do conhecimento em geral), dedicados à reflexão teórico-metodológica, sempre cara e necessária. Cabe destacar mais uma vez, na vibrante história de nossa revista, a amplitude“geográfica” das colaborações que temos recebido, que muito nos anima e vai consolidando parcerias locais e internacionais, juntamente com o empenho na participação crescente de novos colegas. Enfim, cabe desejar a todos bom proveito das leituras e boa discussão nas universidades, junto aos estudantes das músicas (e do mundo), na trajetória que empreendemos continuadamente, tendo este periódico como instrumento compartilhado.

    Editores

    Alice Lumi Satomi

    José Alberto Salgado e Silva 

  • Revista Musica e Cultura 2012/01
    v. 7 n. 01 (2012)

    A Revista Música e Cultura tem por objetivo disponibilizar artigos, resenhas de livros, CDs, vídeos e mídias em geral, que guardem relação com a etnomusicologia, visando divulgar informações da área para os interessados, bem como estimular pesquisas e produções diversas no Brasil, em diálogo com a comunidade acadêmica internacional. Desse modo, esperamos contar com a participação tanto da comunidade acadêmica como não acadêmica, no sentido de colaborar com as edições, enviando-nos sugestões de sites, CDs, livros, filmes, exposições e demais fontes de informação que possam ser resenhadas e divulgadas.

  • Revista Musica e Cultura 2011/01
    v. 6 n. 01 (2011)

    A Revista Música e Cultura tem por objetivo disponibilizar artigos, resenhas de livros, CDs, vídeos e mídias em geral, que guardem relação com a etnomusicologia, visando divulgar informações da área para os interessados, bem como estimular pesquisas e produções diversas no Brasil, em diálogo com a comunidade acadêmica internacional. Desse modo, esperamos contar com a participação tanto da comunidade acadêmica como não acadêmica, no sentido de colaborar com as edições, enviando-nos sugestões de sites, CDs, livros, filmes, exposições e demais fontes de informação que possam ser resenhadas e divulgadas.

  • Revista Musica e Cultura 2010/01
    v. 5 n. 01 (2010)

    No volume 5 da revista Música & Cultura estamos dando continuidade a publicação dos trabalhos apresentados na VIII Reunião de Antropologia do Mercosul, realizada em Buenos Aires em 2009, a qual contemplou dois grupos de trabalho que discutiram pesquisas sobre música. Para este volume, selecionamos participantes do Grupo de Trabalho “Música, convivialidade, afetividade e ética”, coordenado por Sônia Regina Lourenço (UFSC e FCJ, Brasil), Irma Ruiz (UBA e CONICET, Argentina) e DeiseLucy Oliveira Montardo (UFAM, Brasil) assim como a resenha elaborada por Marília Stein. Nossos agradecimentos especiais para aqueles que colaboraram para a edição deste número, e uma boa leitura.

    Os Editores

    Deise Lucy Oliveira Montardo
    Reginaldo Gil Braga

  • Revista Musica e Cultura 2009/01
    v. 4 n. 01 (2009)

    Queremos, antes de mais nada, agradecer aos fundadores e editores dos primeiros números da Revista Música & Cultura, pela disponibilização do periódico para a Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET). Em especial ao Hugo Ribeiro que, continua, gentil e prontamente, confeccionando a página da revista. Este é um veículo importante para esta área do conhecimento que tanto vem crescendo, no país, nos últimos anos. Aproveitamos a oportunidade para convidarmos todos a participarem do IV ENABET, Encontro Nacional da Associação Brasileira de Etnomusicologia que será realizado na Universidade Federal de Alagoas, UFAL, entre os dias 11 e 14 de novembro. Este editorial presta uma homenagem póstuma a amiga e colega Maria Ignez Cruz Mello, luminosa pesquisadora, compositora, intérprete e, mais importante que tudo, ser humano. Destacamos aqui a inestimável contribuição que legou a etnomusicologia com sua pesquisa sobre a música Wauja, no mestrado e no doutorado. Sua tese “Iamurikuma: Música mito e ritual entre os Wauja do alto Xingu” defendida no Programa de Pós-
    Graduação em Antropologia Social (UFSC) foi premiada nacionalmente pela CAPES e pela ANPOCS. A Mig, como era carinhosamente chamada pelos amigos, lecionava no curso de Música e na Pós-Graduação em Música da UDESC e ocupava a tesouraria da atual diretoria da ABET. Ela nos deixou uma lição: trabalhar e viver com dedicação, amor e alegria. Saudades!

    Editores 

    Deise Lucy Oliveira Montardo
    Reginaldo Gil Braga

  • Revista Musica e Cultura 2008/01
    v. 3 n. 01 (2008)

    Prezados leitores,
    Queremos, antes de mais nada, agradecer aos fundadores e editores dos primeiros números da Revista Música & Cultura, pela disponibilização do periódico para a Associação Brasileira de Etnomusicologia (ABET). Em especial ao Hugo Ribeiro que, continua, gentil e prontamente, confeccionando a página da revista. Este é um veículo importante para esta área do conhecimento que tanto vem crescendo, no país, nos últimos anos. Aproveitamos a oportunidade para convidarmos todos a participarem do IV ENABET, Encontro Nacional da Associação Brasileira de Etnomusicologia que será realizado na Universidade Federal de Alagoas, UFAL, entre os dias 11 e 14 de novembro. Este editorial presta uma homenagem póstuma a amiga e colega Maria Ignez Cruz Mello, luminosa pesquisadora, compositora, intérprete e, mais importante que tudo, ser humano. Destacamos aqui a inestimável contribuição que legou a etnomusicologia com sua pesquisa sobre a música Wauja, no mestrado e no doutorado. Sua tese “Iamurikuma: Música mito e ritual entre os Wauja do alto Xingu” defendida no Programa de Pós-
    Graduação em Antropologia Social (UFSC) foi premiada nacionalmente pela CAPES e pela ANPOCS. A Mig, como era carinhosamente chamada pelos amigos, lecionava no curso de Música e na Pós-Graduação em Música da UDESC e ocupava a tesouraria da atual diretoria da ABET. Ela nos deixou uma lição: trabalhar e viver com dedicação, amor e alegria.

    Saudades!

    Editores 

    Deise Lucy Oliveira Montardo
    Reginaldo Gil Braga

  • Revista Musica e Cultura 2007/01
    v. 2 n. 01 (2007)

    Não é novidade o fato que, no Brasil, periódicos on-line ainda não gozam do mesmo prestígio que as publicações impressas. Mas, aos poucos estamos conquistando nosso espaço, mostrando a viabilidade e importância acadêmica desse meio de comunicação. A principal vantagem dos periódicos on-line é a facilidade de acesso ao conteúdo a qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Basta ter uma conexão à internet.  Quantas vezes não ficamos à mercê de fotocópias velhas e rasuradas de artigos importantes por não termos acesso à publicação impressa original?

    Dessa forma, qualquer integrante do Maracatu Estrela Brilhante (ambos) ou das Taieiras de Sergipe podem ler o que pesquisadores escreveram sobre suas práticas, e ter uma outra visão sobre seus comportamentos. E graças à Martha Ulhôa, agora temos acesso ao precioso artigo de Gino Stefani, cujas publicações anteriores (num livro italiano e num periódico americano) tornava-o quase inacessível para grande parte do público alvo brasileiro, seja pela língua escrita (italiano ou inglês), seja pela não disponibilidade dessas publicações nas bibliotecas brasileiras. Isto nos leva a outro assunto, referente às publicações de cunho etnomusicológico em língua pátria.

    Se pretendemos crescer enquanto área acadêmica, nós, etnomusicólogos, devemos expandir nosso público leitor, despertando interesse em pessoas que não sejam da área específica, seja escrevendo mais textos introdutórios à disciplina, que possam ser utilizados em nível de graduação, ou traduzindo e disponibilizando artigos ou livros importantes para a área, tais como o How Musical is Man, de John Blacking, ou o The Study of Ethnomusicology, de Bruno Nettl.

    Alguns passos nessa direção já foram dados, mas o caminho ainda é longo. Um passo de cada vez. A cada passo uma nova experiência e, portanto, um novo conhecimento adquirido. Esse foi o caminho percorrido nesses dois números dessa revista. E valeu a pena. Agora é hora de passarmos a bola adiante. A partir do terceiro número, a revista estará sob responsabilidade da diretoria da ABET, possibilitando uma mudança constante dos editores da revista, o que acreditamos ser saudável para a continuidade da mesma. Que os novos editores, Deise Lucy Montardo e o Reginaldo Gil Braga, tragam um novo fôlego, modificando o que for necessário, melhorando o que houver para melhorar.

    Nós agradecemos a todos aqueles que confiaram em nossa idéia e nos apoiaram na criação da Música & Cultura, principalmente à Kilza Setti e Martha Ulhôa, cujas palavras de apoio e incentivo nos momentos mais difíceis foram essenciais.
    Obrigado.

    Os editores

    Hugo Leonardo Ribeiro
    Vanildo Mousinho
    Luis Ricardo Queiroz

     

  • Revista Musica e Cultura 2006/01
    v. 1 n. 01 (2006)

    Ufa! Até que enfim.
    Podemos dizer que essa revista estava “cozinhando” há quase 3 anos, desde quando nos reunimos na sala da pós-graduação em música da UFBA, até conseguirmos lançar essa primeira edição. Duas tentativas anteriores foram frustradas, mas por fim, o ideal venceu o cansaço.

    Essa revista on-line surge num momento importante para a consolidação da etnomusicologia no Brasil. Em 2001 tivemos a oficialização da criação da ABET – Associação Brasileira de Etnomusicologia, a partir de uma retomada dos esforços iniciados em Salvador, no início da década de 90. Onze anos após o início da primeira pós-graduação em etnomusicologia no Brasil, a ABET já começa a dar frutos.

    Tivemos dois encontros nacionais. O primeiro em Recife, em 2002; e o segundo em Salvador, em 2004. O próximo será em São Paulo, neste ano de 2006. Como é de interesse de todos, a etnomusicologia cresce a cada dia, e nada mais justo do que um periódico para estimular e divulgar a produção etnomusicológica brasileira. No entanto, a revista não se encontra limitada às produções de acadêmicos em etnomusicologia.

    Não podemos esquecer da contribuição que antropólogos, musicólogos, sociólogos, e folcloristas deram à compreensão da música criada, produzida, e/ou consumida no Brasil. Dessa forma, não é de interesse fechar as portas através de fronteiras que na verdade não existem e nunca existiram. Muito menos na própria etnomusicologia, que já é por definição interdisciplinar. Partindo de um projeto particular, nós, os editores e a equipe editorial, decidimos queseria mais interessante para a própria revista, não só assumir uma posição flexível, como ser ela própria flexível em sua estrutura.

    Pretendemos, dessa forma, dar espaço a mudanças na linha editorial, pois queremos que a revista tenha sempre o fôlego juvenil para enfrentar as dificuldades inerentes à qualquer periódico. O primeiro passo foi dado.

    Esperamos que esse seja o primeiro de uma longa caminhada. Mas para isso contamos com todos aqueles que contribuíram, e contribuirão com a produção etnomusicológica brasileira.

    Contamos com todos vocês.

    Os editores

    Hugo Leonardo Ribeiro
    Vanildo Mousinho
    Luis Ricardo Queiroz